segunda-feira, 21 de julho de 2025

Representatividade é Urgente: O que não estava na toalha de livros





No dia 17 de Julho de 2025, participei de uma formação voltada aos professores da Educação Infantil do município de Itabuna. A atividade integrou o GPMEC, Grupo de Pesquisa de Matemática da UESC, e trouxe como proposta a integração entre literatura e matemática, elementos essenciais na aprendizagem das crianças pequenas.

Durante a manhã, fomos convidados a participar de uma dinâmica instigante: uma toalha estendida no chão, com diversos livros infantis distribuídos sobre ela. A proposta era simples, escolher um dos títulos e, a partir dele, elaborar um plano de aula que combinasse leitura e conceitos matemáticos. A atividade em si foi rica, criativa e colaborativa.

Contudo, algo me inquietou profundamente. Nenhum dos livros disponíveis abordava temáticas étnico-raciais ou trazia protagonistas negros. A ausência foi gritante. Num país em que mais da metade da população se autodeclara preta ou parda, como aceitar que, em um momento formativo, a diversidade não esteja representada nas obras sugeridas?

Ao final da formação, cada participante recebeu um pacote de livros doado pelo Grupo Itaú. De dez títulos, apenas dois apresentavam personagens negros e como protagonistas. Embora esses dois livros tenham valor, a proporção revela o quanto ainda há a caminhar para que a representatividade seja regra, e não exceção.

Curiosamente, ou providencialmente, naquela mesma tarde, durante a aula de mestrado, recebi das mãos da minha colega Elisa, que também é escritora, um conjunto de livros com personagens negros e temáticas afro centradas. Sua generosidade emocionou e inspirou. Foi um presente para minha escola, para meus alunos e para a luta por uma educação antirracista desde os primeiros anos.

Essa vivência reforça ainda mais a importância do meu projeto e da existência deste blog. Queremos um espaço para refletir, compartilhar e propor leituras que representem todas as infâncias, especialmente as negras, tão frequentemente invisibilizadas nos espaços escolares.

Leituras de Lelê nasce como um convite à transformação. Que cada história lida e contada seja também uma semente de equidade plantada no chão da escola.




Fonte: Acervo pessoal 

Fonte: Acervo pessoal 

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Boas vindas

Seja muito bem-vinda(o) ao Leituras de Lelê, um espaço criado com afeto, escuta e compromisso com uma educação que valoriza a identidade negra desde a infância.

Este blog nasce do desejo de compartilhar experiências, reflexões e práticas pedagógicas inspiradas por vivências reais da educação infantil e, especialmente, pelo impacto transformador da história O Cabelo de Lelê. Será utilizado como dispositivo metodológico, documentando minhas descobertas, dúvidas, dilemas e transformações ao longo da pesquisa, a partir da perspectiva da pesquisa formação.

Aqui, cada postagem busca fortalecer o olhar antirracista na formação docente e construir, junto com você, caminhos possíveis para uma escola mais justa, plural e afetiva.

Sou professora da educação infantil, mestranda do PPGER/UFSB, e este blog também integra meu projeto de pesquisa sobre formação continuada de professores e a promoção da identidade negra na infância, com foco no programa LEEI – Leitura e Escrita na Educação Infantil no Município de Itabuna (BA).

Este espaço é para você, professora, professor, pesquisadora, estudante ou curiosa(o) que acredita que educar também é um ato de resistência, e que toda criança merece se ver representada, respeitada e valorizada em seu processo de aprendizagem.

Sinta-se em casa, participe, compartilhe e caminhe comigo nesta construção coletiva de saberes e afetos.

Com carinho, Jeane


Representatividade é Urgente: O que não estava na toalha de livros

Encontro Institucional para fortalecer a pesquisa e a Formação docente em Relações étnico-raciais

O encontro realizado no dia 13 de abril contou com a participação da coordenação da Comissão de Relações Étnico-Raciais do município de Itab...