No dia 17 de Julho de 2025, participei de uma formação voltada aos professores da Educação Infantil do município de Itabuna. A atividade integrou o GPMEC, Grupo de Pesquisa de Matemática da UESC, e trouxe como proposta a integração entre literatura e matemática, elementos essenciais na aprendizagem das crianças pequenas.
Durante a manhã, fomos convidados a participar de uma dinâmica instigante: uma toalha estendida no chão, com diversos livros infantis distribuídos sobre ela. A proposta era simples, escolher um dos títulos e, a partir dele, elaborar um plano de aula que combinasse leitura e conceitos matemáticos. A atividade em si foi rica, criativa e colaborativa.
Contudo, algo me inquietou profundamente. Nenhum dos livros disponíveis abordava temáticas étnico-raciais ou trazia protagonistas negros. A ausência foi gritante. Num país em que mais da metade da população se autodeclara preta ou parda, como aceitar que, em um momento formativo, a diversidade não esteja representada nas obras sugeridas?
Ao final da formação, cada participante recebeu um pacote de livros doado pelo Grupo Itaú. De dez títulos, apenas dois apresentavam personagens negros e como protagonistas. Embora esses dois livros tenham valor, a proporção revela o quanto ainda há a caminhar para que a representatividade seja regra, e não exceção.
Curiosamente, ou providencialmente, naquela mesma tarde, durante a aula de mestrado, recebi das mãos da minha colega Elisa, que também é escritora, um conjunto de livros com personagens negros e temáticas afro centradas. Sua generosidade emocionou e inspirou. Foi um presente para minha escola, para meus alunos e para a luta por uma educação antirracista desde os primeiros anos.
Essa vivência reforça ainda mais a importância do meu projeto e da existência deste blog. Queremos um espaço para refletir, compartilhar e propor leituras que representem todas as infâncias, especialmente as negras, tão frequentemente invisibilizadas nos espaços escolares.
Leituras de Lelê nasce como um convite à transformação. Que cada história lida e contada seja também uma semente de equidade plantada no chão da escola.

