Na última sexta-feira, vivi uma daquelas cenas que marcam o coração e reafirmam o sentido de ser professora. Uma colega ensinou, com muito entusiasmo, a Amarelinha Africana para as crianças das turmas de 4 e 5 anos. Confesso que, no início, achei que elas talvez não conseguiriam realizar todos os movimentos, acompanhar o ritmo e cantar ao mesmo tempo. Mas o que aconteceu depois foi surpreendente.
Durante o intervalo, quando a música já havia cessado, as lancheiras estavam guardadas e o pátio parecia silencioso, uma menina voltou espontaneamente ao espaço da brincadeira. E começou a pular sozinha, com os passinhos firmes e o corpo leve, cantando baixinho a mesma canção da atividade anterior. Brincava com a cadência da música que agora vivia dentro dela, como se o som estivesse guardado em sua memória e no corpo.
Foi nesse instante que me veio à mente o Provérbio 22:6:
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.”
Percebi que aquele versículo não se refere apenas ao ensino moral ou religioso, mas também ao ato de educar com sentido, com afeto e com cultura. Aquela menina estava vivendo o que aprendeu, experimentando o aprendizado como algo que não se apaga, que pulsa.
E então, quando percebeu que eu a observava de longe, veio correndo e me abraçou, feliz, perguntando se eu tinha visto o quanto ela havia acertado. Eu sorri e confirmei com o coração cheio. Aquele abraço foi o selo de que a aprendizagem pela brincadeira é uma das formas mais puras de transmitir conhecimento e identidade.
A Amarelinha Africana foi muito mais do que uma brincadeira. Foi um caminho de memória, ancestralidade e pertencimento. E, como diz o provérbio, o que é ensinado com amor e propósito, permanece.
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